11 de set. de 2010

A moqueca de uma pernambucana na legítima e incrível panela de barro capixaba



Há mais ou menos um mês, fiz às pressas uma receita de moqueca de peixe com camarão da minha cabeça. O resultado ficou razoável, mas ainda faltava uma certa dedicação da minha parte ao prato. No dia seguinte a essa primeira tentativa, recebi um telefonema de Nando e Anna, um casal de amigos pernambucanos e queridos vizinhos cobaias das minhas receitas aqui em sampa, eles estavam em Vitória (ES) e queriam me informar que trariam um presente de lá. Pois bem, eis que ganhei deles uma legítima panela de barro capixaba. Fiquei muito feliz e pra lá de agradecida.

Bom, por isso, eu tratei de me empenhar no preparo de uma moqueca de peixe com bastante dedicação em agradecimento ao casal. Uma difícil tarefa, por sinal, já que os dois voltaram recentemente de Vitória após provar e aprovar moquecas das mais diversas por lá, inclusive uma de banana da terra. De qualquer maneira, é tentando que se aprende. E é tentando de novo e de novo, que se aprimora uma receita. Ao menos, tento acreditar nisso. Por isso, vamos lá à moqueca.

O que eu uso?

1kg de peixe em postas (usamos cioba e pargo porque não tivemos muita opção)
400g de camarões descascados cozidos
4 colheres de polpa de tomate
2 cebolas grandes picadas em cubos
4 tomates fatiados
3 dentes de alho picados
1/2 pimentão vermelho e 1/2 pimentão amarelo em rodelas
1 colher de sopa de azeite de dendê
100ml de leite de coco
Cebolinha e salsinha picadas a gosto
Azeite de oliva
2 limões
2 pitadas de pimenta calabresa
Sal e pimenta do reino a gosto

Como eu faço?

Separe as postas de peixe em um recipiente com limão, sal e pimenta do reino por 15 minutos. Faça o mesmo com os camarões em outro recipiente. Forre o fundo a panela de barro com azeite, cebola, tomate, cebolinha e salsinha. Disponha as postas de peixe e cubra novamente de verduras.



Acrescente a polpa de tomate, sal e pimenta do reino. Tape a panela e deixe cozinhar por 15 minutos em fogo baixo. Abra a panela e acrescente o dendê, os pimentões em rodelas, a pimenta calabresa, mais salsinha e deixe cozinhar por mais 10 minutos em fogo médio.



O próximo passo é acrescentar o leite de coco e os camarões. Deixe cozinhar por mais 5 minutos. Antes de terminar, verifique como está o sal no molho e o cozimento do peixe. Para finalizar, acrescente mais cebolinha picada e sirva bem quente.



Ahhh! A panela de barro é fantástica, vale a pena ter uma, vai manter o prato bem quente, coloquei na mesa e quando destampamos ainda borbulhava.



A moqueca acompanhou arroz branco com aroma de ervas e uma boa conversa entre amigos.

Obrigada, Nando e Anna, pelo belo presente e pela companhia.

6 de set. de 2010

O Pão Integral de Linhaça



Bem, no ano de 2000 tive uma experiência um tanto radical na gastronomia, uma época onde a minha semana se resumia a jogar Capoeira na UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco) com o grande Mestre Corisco e trilhas de bike aos domingos (na mata de Brennand) com o grande irmão e amigo Plínio Uchoa.

Uma época onde aprendi muito sobre saúde e bem estar. Digo que tinha uma ótima qualidade de vida para aquele momento, pois qualidade de vida depende apenas de você, ou seja, você tem que estar no lugar certo, na hora certa e o mais importante, querer estar lá. Esse foi o meu momento no ano de 2000, Capoeira e Bike, momento impar em minha vida.

Radicalizei um pouco, confesso, pois parti para a Macrobiótica (durante um ano) que enfatiza uma alimentação a base de cereais integrais cultivados localmente, legumes e produtos de soja fermentada, combinados em refeições pelo princípio das propriedades do yin e yang.

Foi ai que conheci intimamente o Pão Integral, onde praticamente era meu lanche da tarde de todos os dias acompanhado com um belo mel de abelha.

Desta forma, passo pra vocês uma receita que não é tão radical quanto a Macrobiótica (que admiro até hoje) mas que trás sabores inigualáveis e que fazem você se sentir no lugar certo, na hora certa ao degustá-lo.

Ingredientes:

600 gramas de farinha de trigo branca
400 gramas de farinha integral
10g de fermento biológico instantâneo
550 ml de água morna
60 gramas de manteiga
20 gr de sal
4 colheres de sopa de açúcar mascavo
4 colheres de semente de linhaça
1 ovo.

Obs. O Pão Integral para a Macrobiótica é bem mais radical e a manteiga  passa longe.

A Peleja:

Misture os secos (Farinha de trigo branca, Farinha de trigo integral e o fermento biológico).

Depois de conseguir uma mistura homogênea acrescente a água morna aos pouco e vá fazendo a argamassa até você conseguir uma massa que não grude nos dedos.

Na sequencia acrescente o sal e depois de misturar mais um pouco vá adicionando o açúcar mascavo e as sementes de linhaça.

Adicione a manteiga (importante que ela esteja mais do que a temperatura ambiente para misturar rapidamente). Neste caso, tirei da geladeira e levei por 20 segundos no microondas. Atenção, ela não pode ficar líquida, apenas amolecida.

Depois de amassar a massa buscando uma forma homogênea deixe descansar coberta com um pano por 30 minutos para que o fermento faça seu trabalho. Você vai perceber que a massa praticamente dobra de tamanho.


Coloque a massa em duas formas de pão (a quantidade dá exatamente para duas). Ou se preferir coloque a massa inteira em uma assadeira comum.

Usei a assadeira de teflon para não ter o trabalho de untá-la.


Pincele a massa com uma mistura de um ovo com um pouco de água , conhecido como egg wash, para dar aquele brilho na parte superior do pão.

Jogue um pouco de linhaça sobre o pão e leve ao forno a 290 graus por 45 minutos.

Como diz o bom Pernambucano: Pronto!!!!


Inté.

25 de ago. de 2010

O Bolo de Rolo - The Return


Depois da grande trilogia:

Bolo de Rolo I- Um Belo Rocambole Paulistano
Bolo de Rolo II - O Desastre do Tareco
Bolo de Rolo III - A Culpa foi do Galego

Vem ai, " Bolo de Rolo - The Return ".

Confesso que apesar das dificuldades que passei no ano de 2009, não desanimei um só minuto e venho me aprofundando "teoricamente" sobre a bela arte do Bolo de Rolo. Os ensaios foram diários e agora me  sinto pronto para por em prática toda a teoria adquirida.

Alguns cuidados serão necessários para evitar um novo fracasso, tais como:

1.Deixar de lado a visão Paulistana sobre o Bolo de Rolo: "Apenas um belo Rocambole";

2. Pensar menos na infância que passei na cidade Palmares, zona da mata do estado de Pernambuco, onde o Tareco fazia parte quase que diariamente dos lanches da tarde;

3. Manter uma distância segura do Bairro do Brooklin, principalmente da residência do amigo Adauto (vulgo: O Galego).

Pronto.

Começa aqui mais um capítulo de minha história e nos próximos dias postarei o resultado.

Jason is Live!!!!!!!!!!!

23 de ago. de 2010

Pannacotta - Uma sobremesa leve

Este final de semana, fizemos em casa um prato português chamado Chanfana. Ele é feito com carne de carneiro demora quase 3 dias para ficar pronto e é uma delícia.

Com este prato super pesado, o meu desafio foi fazer uma sobremesa que fosse leve e saborosa. Então escolhi a Pannacotta, e como vi algumas adaptações interessantes, e resolvi dar meu toque mágico a ela.

A receita é super simples e rápida de fazer. Eu preferi usar coisas um pouco menos calorias e deu certo.

Ingredientes
2 xícaras de leite (de preferência desnatado)
1 pote de iogurte desnatado (90g)
1 col. (sopa) de mel
2 col. (sopa) de açúcar cristal
1 lata de creme de leite
1 saquinho de gelatina sem sabor (12g)
6 col. (sopa) água
4 saquinhos de chá de capim-cidreira
Raspas de ½ limão

Como Fazer
Pegue o leite e aqueça em uma panela média com o mel e o açúcar. Depois corte as pontinhas (extremidades) de papel dos saquinhos de chá e coloque 3 dentro do leite e deixe ferver. Fique de olho para não derramar no fogão.

Em outro recipiente coloque a água aquecida e o outro saquinho de chá até ele dissolver bem e ficar um chá forte. Depois, corte o saquinho e despeje um pouquinho das ervinhas dentro desta água, tire o saquinho e despeje a gelatina e mexa até dissolver bem. Se esfriar, e ficar um pouquinho dura é só colocar uns segundinhos de volta no microondas que ela volta a amolecer. É importante que a gelatina esteja bem dissolvida.

Desligue o fogo e coloque as raspas de limão, a gelatina derretida, o iogurte e o creme de leite. Mexa muito bem até ter certeza que tudo está bem incorporado. Eu uso um

Despeje em potinhos pequenos e coloque na geladeira de um dia para o outro.

Para servir, desenforme usando uma faca para desgrudar as laterais e com cuidado para não machucar o doce, cubra com geléia. Uma dica para a geléia, é dissolver em um pouquinho de água para ela parecer uma calda, não precisa de grandes esforços, é só pegar um pouco da geléia e colocar em um recipiente com um pouco de água e levar ao microondas de 20 a 30 segundos. Depois misture bem e coloque em cima da Pannacotta.

Minhas sugestões de geléia são: Pimenta, menta e frutas vermelhas.


Clique aqui e veja a receita da Chanfana.

Divirta-se e aproveite!


By Cris Carezatto

22 de ago. de 2010

Chanfana



Recentemente um amigo esteve viajando por Portugal e provou este prato. Segundo ele, um dos mais gostosos da viagem. Resolvi pesquisar, pois nunca tinha ouvido falar e obviamente testar para saber se é boa mesmo. E para não correr riscos, chamei o próprio para degustar com a gente e dizer se ao menos se parece com o que ele provou durante a viagem. Afinal, amigos são pra isso mesmo... Então vamos ao que interessa.

Esta receita é típica dos nossos patrícios bigodudos, mas precisamente da região da Beira Litoral. Originariamente é feita com carne de cabra/bode. Eu fiz com carne de cordeiro/carneiro, ora pois.

Tu vais precisaire de:
~ Aproximadamente 1,5kg de carne de cabra/bode/carneiro/cordeiro, cortada em pedaços de tamanho médio.
~ 130ml de azeite (português, vai)
~ Punhado de sal grosso
~ Colorau
~ 2 ou 3 cabeças de alho inteiras e sem neurônios
~ Folhas de louro
~ 1 Ramo de alecrim
~ Pimenta do reino para moer na hora
~ Uma garrafa de vinho tinto (português?)
~ Uma panela de barro

Como fazêire:
Esta receita só não é mais fácil do que preparar um pão com ovo.
Coloque os pedaços de carne de maneira organizada junto com as cabeças de alho inteiras, com casca e tudo. Rasgue umas folhas de louro, coloque por cima, jogue o sal grosso distribuído, sem excesso, por toda a panela assim como o colorau. Moa um pouco de pimenta do reino. Despeje o azeite lentamente por toda a panela, regando bem os pedaços de carne e as cabeças de alho. Para finalizar despeje uma garrafa de vinho inteira por sobre as carnes. Tampe e deixe marinando de um dia para outro. Em seguida, leve ao forno (isso mesmo. Ao forno!) na temperatura mais baixo que der (entre 140 e 160 graus). Deixe lá dentro e esqueça.
A previsão é que leve mais de 3 horas cozinhando lentamente. Para compartilhar com vocês a minha expectativa, resolvi escrever a receita neste “pequeno” intervalo.
Portanto, não sei bem como vai ficar. Mas prometo ir atualizando. Abaixo, a primeira foto é da organizaçao dos ingredientes. A segunda, tirei após 1 hora de forno, para ver como estava todo mundo.
Em breve atualizo com mais fotos.



Up Date:
Bom... ja adianto que não são três horas de cozimento...
Neste momento a Chanfana à Dorival Caymmi completa 5 horas de forno. A foto pode ser vista abaixo. Apesar da demora, o cozimento lento está deixando a carne bem macia e suculenta. Como irei servir somente amanhã a noite, irei manter mais uma hora no forno, somente então desligo o fogo e deixo a carne "descansando" até amanhã. Antes de servir, irei aquecer a penela, já no fogão, mas em fogo baixo.
Amanhã eu posto o "gran finale".



up date 2:
Depois de passar toda a segunda feira apurando, tirei a panela do forno e coloquei no fogão para finalmente servir a tão esperada chanfana. A carne estava super macia e soltando completamente. Enquanto esquentava em fogo baixo, preparei um arroz com macadamias e cozinhei algumas batatas bolinha.
Abri um bom vinho português e servi.
O prato realmente é uma delicia, de sabor bastante apurado e marcante. Abaixo a foto do resultado final e a cara dos provadores de plantão... apesar da demora vale muito a pena experimentar.
E como dizem os portugas quando se despedem: tchau!
Por "chef Di Menezes"

Resultado Final


Provadores de Plantão



Last Up Date

Hoje, dia 21/08 eu resolvi fazer novamente a Chanfana e inclusive atualizar a receita.
A primeira coisa que fiz, nesta segunda versão foi não usar cebola. Como o objetivo do cozimento lento é deixar um molho bastante grosso e quando usamos a cebola, junta muita "água". Então, estou testando sem cebola.

abaixo a foto dos ingredientes em plena marinada.


Depois de marinar, deixei-a no forno por 6 horas e meia, num cozimento lento. As carnes ficaram supermacias e o molho bastante encorpado. Aconselho que nas últimas três horas, você ponha as batatas pequenas, para que peguem o gosto do caldo. Se precisar acrescente mais vinho. Essa chanfana levou praticamente uma garrafa e meia de vinho tinto, para algo em torno de 2,5kg de carne.
Quando completar as 6h de forno, desligue e deixe a panela dentro do forno mesmo, para que vá esfriando lentamente, até o dia seguinte. Meia hora antes de servir, aqueça tudo, neste caso, direto no fogão mesmo. Desta vez fizemos também um arroz, só que com amêndoas, no lugar das macadâmias. Ficou delicia total.

O Gran Finale:
Está o final de tudo.



Espero que apreciem.

encerro novamente, como os portugas costumam se despedir dos amigos:
"au revoir" ou "до свидания"

by Adauto Menezes