29 de abr de 2008

Eu risco a faca e mostro o brilho...

"A poesia da pesca primitiva"

— Vamos a uma sururuzada, minha gente?

É o convite do alagoano a quem visita Maceió. Com umas cervejinhas "estupidamente geladas", o produto típico é orgulhosamente exibido em mesa de bar, à beira de lagoa. Em matéria de prato, nada melhor pra variar.

— Olha o sururu de capote... é a setecentos mil réis o quilo é a setecentos.

No mercado de Maceió, os gritos de vendedores de sururu se confundem. Mulheres e crianças anunciam com insistência a oferta do molusco.

É bom saber que há sururu de capote (ainda com a casca) e o dispinicado (já tratado, sem casca, pronto pra panela).

Família ilustre
Mytella falcata, molusco lamelibranquido da família dos militídeos, lembra algo muito importante pelo seu nome difícil, complicado demais para o pescador. Por isso chama apenas de sururu e nada mais. Orgulhosamente sururu, tipicamente sururu nordestino de Alagoas. Tem caracteres próprios que o diferenciam de seus parentes, como o mexilhão e o bergigão. Na linguagem científica, usada apenas pelos técnicos da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca e outros estudiosos o sururu faz questão de assinar-se Mytilus mundanensis duartii (com dois is e seus respectivos pingos). Longe dos aspectos técnicos, é o simples e principal habitante da Lagoa Mundau, que banha a capital alagoana.
Há notícias distantes de ter sido encontrado em outras regiões do país. Fala-se mesmo que, nos tempos da monarquia, tentaram sua aclimação na lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro.

O sururu prolifera nas partes mais rasas da lagoa, vive em colônia numerosas. Cresce, engorda e sobrevive de acordo com o teor de salinidade da água, que não deve ser nem muito doce, nem muito salgada. Ideal é entre 5 e 15%. Somente as águas da lagoa Mundau, oferecem essa condição. Por isso, ali habitam com grande abundância. É a espécie de maior volume de produção do estado.


Pescado à unha
Na exploração do sururu é desconhecido o mais insignificante processo moderno. Da pesca à distribuição, tudo se faz com muito primitivismo, como há cem anos. Aforas as canoas, tudo o mais independe de instrumentos. O trabalho começa antes do amanhecer.
Antes de surgir a madrugada, o pescador de sururu dirige-se, de canoa, ao ponto onde habita o molusco. Aproveita a maré baixa (a lagoa é ligada ao mar por um estreito canal) e inicia o ofício de cada dia. Mergulha repetidas vezes e retira da lama, com as próprias mãos, o sururu de capote. Pouco a pouco enche a canoa. Volta à praia para a lavagem.


Poesia e miséria
Pela madrugada, quando saiu de casa, a mulher e os filhos ficaram entregues à tarefa de dispinicamento do molusco.
A pesca prolonga-se até meio dia. Durante a tarde durante a secagem do produto e à noite, todos se dedicam à fervura do molusco.
De geração em geração, do vovô ao netinho, a cena se repete: lagoa Mundaú, povoada de canoas pela madrugada de pesca, fervura e despinicamento, e venda do produto.
Sobre canoas de nomes estranhos — Palavira, Caatinga, Espalhado e outras — persiste uma civilização curiosa, diferente pelos extremos que a caracterizam: a beleza da rica paisagem e a subnutrição dos filhos, a família grudada ao incessante ritual de miséria pela sobrevivência. Nascem, crescem e morrem encerrados no mesmo ciclo do comer-para-viver e do trabalhar-para-comer.



Sururu ao leite de côco
(para 2 pessoas famintas ou 4 pessoas com fastio)




Ingredientes:
1kg de sururu dispinicado
2 cebolas médias
2 dentes de alhos
3 tomates maduros
1 maço de cheiro-verde (mas o do nordeste, que é cebolinha + coentro)
500ml de leite de coco (o da Socôco é o melhor)
Sal
Pimenta de cheiro
Pimenta malagueta
Azeite

Modo de fazer:
Corte o alho e a cebola bem pequenininhos e reserve.
Corte os tomates em cubos e pique o cheiro-verde.

Leve uma panela funda ao fogo médio, acrescente azeite suficiente para cobrir o fundo da panela. Coloque a cebola, e quando ela estiver transparente, baixe o fogo e acrescente o alho até a refoga dourar.
Pegue 1 pimenta malagueta, tire as sementes, lave-a e pique bem pequenininho. Pegue umas duas ou três pimentas de cheiro e pique bem pequenininho também.
Acrescente as pimentas à refoga.

Vá mexendo para elas soltarem bem o sabor.

Acrescente então o sururu dispinicado.
Você deve estar se perguntando onde poderá encontrar esta especiaria, não é?
Bem...talvez, eu disse talvez, tenha no mercadão municipal aqui em São Paulo.
Mas se não tiver, aproveita um final de semana desses, compra passagem na promoção da Gol, e dá um pulinho lá no mercado de Maceió. Lá você vai achar.

Voltando à receita...
Acrescente o sururu dispinicado e espere que ele começe a soltar um pouquinho d'água. Assim que isso começar a acontecer, acrescente 2/3 dos tomates em cubinhos e 2/3 do cheiro-verde picadinho.
O sururu vai começar a tomar gosto da refoga, do tomate, do cheiro-verde, das pimentas...

Aí é a hora de você acrescentar o sal a gosto. Vá experimentando até que o sal tenha conseguido realçar o sabor do sururu.

Depois de uns 15 minutos em fogo baixo, o sururu estará cozido.

Você pode acrescentar então o leite de coco da Socôco, e aquele 1/3 de tomate e o 1/3 de cheiro-verde que tinha ficado reservado.

Depois disso, acerte o sal.

Para acompanhar, sugiro farinha.

Pode ser da grossa, da fina, se não tem da quebradinha, vá na vizinha pegar!
Bom apetite!

(o texto inicial é de autoria do Tobias Granja. Jornalista e alagoano)

27 de abr de 2008

Língua Bovina


Pense num prato que já fala por si só. A tal da língua, mas conhecida no Restaurante da Mira (famoso restaurante de comida regional de Recife) como “o idioma” faz parte do cardápio nordestino e é muito discriminado por aqueles que ainda não bateram um papo intimista com a sujeita.



Vamos a receita.

Ingredientes:

1 unidade de língua bovina
2 cebolas
2 folha(s) de louro
3 colheres ( de sopa) de azeite
2 dente(s) de alho amassado(s)
1 copo de vinho branco
1 caixinha de polpa de tomate
quanto baste coentro e cebolinho
1 xícara ( de chá) de água

Preparação:

Primeiro de tudo, não perca tempo, compre uma língua bovina já sem pele e tratada.

Coloque na panela de pressão: a língua, uma cebola, as duas folhas de louro, água (o suficiente para cobri-la) e sal a gosto.

Deixe cozinhar por 30 minutos, contados a partir da hora em que a panela começa a fazer pressão.

Numa panela a parte adicione o azeite e faça um refogado com a outra cebola picada e os dentes de alho picados. Quando a cebola estiver no ponto adicione o molho de tomate e deixe ferver mais um pouco para posteriormente adicionar o vinho branco.

Acrescente a língua (cortada em fatias, não muito finas), tempere com sal e pimenta a gosto. Assim que começar a ferver abaixe o fogo tampe a panela e deixe por meia hora ou até que esteja a seu gosto macia e saborosa.Por último junte o coentro, o cebolinho e deixe por mais dois ou três minutos, desligue o fogo e sirva com arroz branco e batatas sauté.

Dica da panela de pressão:

Assim que a pressão começar (em torno de 15 a 20 minutos), abaixe o fogo.

Após os 30 a 40 minutos de cozimento contados a partir da hora em que a panela tem pressão, colocar a panela (ainda tampada) debaixo de uma torneira com água corrente. Dessa forma a pressão sai mais rápido.

Efeito colateral:

Uma vontade de dormir que derruba até o guarda.

26 de abr de 2008

Bode Guisado

Esclarecimentos:

Segue alguns esclarecimentos básicos.Qual a diferença entre cabra, bode, cabrito,carneiro e cordeiro?

A cabra é a fêmea adulta dos caprinos pertencente à família dos bovídeos, subfamília dos caprinos, ou seja, a fêmea do bode. Os cabritos são animais (cabras ou bodes) jovens, em fase de crescimento. O carneiro é o macho da ovelha e o cordeiro é o filhote do carneiro com a ovelha.
A carne de cabrito, é consumida principalmente no Nordeste e é conhecida como carne de bode, em função do costume regional de abater apenas animais mais velhos.

Ingredientes:

1 kg de bode partido em pedaços pequenos (cabrito)
200 g de tomate cortado em cubos
1 maço de coentro
3 pimentões cortados em cubos (verde, amarelo e vermelho)
3 cebolas cortadas em cubos
Sal, cuminho, pimenta e coloral a gosto
6 dentes de alho amassados
e uma bela panela de barro (indispensável)

Preparação:

Coloque todos os temperos junto com o bode na panela, refogue bem, acrescente água (até cobrir os ingredientes ) para cozinhar a carne, deixe cozinhar até que a carne fique macia.

Sirva a seguir. O tempo médio é de 2h e 30min de cozimento. Mas a maciez da carne é que vai dizer o ponto certo.

Acompanhamentos:

Como diz o grande amigo Edvaldo Telles: "Acompanha cuscuz, macaxeira e manteiga de garrafa. Tudo regado a uma boa cachaça Carvalheira ou então São Francisco!!! Sem esquecer o CD de Elomar!!!"

Não deu certo? Então frita aquele ovo e coloca dentro de um belo pão.
Abraço.

Risoto de funghi secchi
By Cris Carezatto, vulgo Cris “Di Menezes”




E lá vem mais uma receita. Conforme prometido, mais rápida e com poucos segredos e menos trabalhosa. Tá... tudo bem. Dessa vez não vou exigir uma vista da praia de Guadalupe. A receita é da Cris. Eu fiquei responsável pelos ajustes e piadinhas infames.
Então anotai: (ou dá um control c, control v)






Ingredientes:

- 30 g de funghi secchi (você encontra isso em supermercados. Óbvio que se você for naqueles meia-boca, você não vai achar nada, ou se achar alguma coisa é capaz de passar mal. Portanto, vá num supermercado decente e compre um bom “fungo seco”);
- 1 cebola média bem picadinha;
- 2 xícaras (chá) de arroz para risoto (prestenção! Tem que ser de RISOTO!! Não me venha com arroz de saquinho, senão vai ter porrada!);
- 1 ou 2 cubos de caldo de carne dissolvidos em 1½ litro de água fervente;
- 1 xícara (chá) de vinho branco seco (pode ser qualquer um vinho branco seco. Se não quiser comprar uma garrafa de vinho fuleiro, só pra fazer esse prato, use um pouco do vinho tinto que vai dá no mermo);
- Uma garrafa de vinho tinto “Quinta de Cabriz” ou a gosto;
- 60 g de manteiga;
- ½ xícara (chá) de queijo parmesão ralado (compra um queijo bom! Faz toda a diferença);
- sal a gosto;
- dois ovos brancos;
- farinha de mandioca (uma xícara de chá)

Modo de preparo:

Trinta minutos antes de iniciar o risoto, abra o vinho tinto e sirva-se de uma taça. Então lave muito bem os funghi, retirando o máximo possível de terra. Coloque-os em uma tigela pequena e cubra com ½ xícara (chá) de água e ½ xícara de vinho branco seco mornos. (tem que ser morninho.Nem fervendo nem frio, morno!)

Deixe repousar por 30 minutos. Ao final do tempo, retire os pedaços de cogumelo hidratados do líquido, que deverá também ser reservado (guarde esse liquido que você vai precisar dele). Corte os cogumelos em pedaços pequenos (do tamanho que você consiga comer sem precisar de uma faca) e reserve.


Em uma panela média, aqueça ¾ da manteiga (se você não for bom de matemática, pegue um taco de manteiga e jogue na panela) e junte a cebola. Quando a cebola estiver começando a dourar, acrescente os pedacinhos de funghi e cozinhe por 1 minuto. Junte o arroz, misture bem, e deixe no fogo até o arroz começar a ficar transparente (+ ou - 2 minutos).

Tá lembrado daquele líquido que sobrou da hidratação do funghi e que eu mandei guardar? Pronto. Vá colocando aos poucos no arroz e vá mexendo. Não pare nunca de mexer pra não grudar nada no fundo na panela. Vá mexendo até secar. Pegue aquele litro e meio de água morna, onde você derreteu o tablete de caldo de carne e vá acrescentando ao arroz com uma concha. Ponha somente uma concha por vez, mexa até que seque, então repita a operação ate que você tenha colocado todo o caldo. Vai demorar para evaporar toda essa água. E por isso você deve ter paciência e braços fortes. Caso não tenha braços fortes, pode mexer com a outra mão também, chamar os amigos para ajudar; qualquer coisa vale só não pode parar de mexer e deixar o risoto grudar no fundo da panela. Nunca deixe o risoto grudar no fundo da panela!!!

Mantenha o risoto no fogo até que o arroz esteja cozido, mas al dente. Isso quer dizer, nem muito mole, nem muito duro. Desligue o fogo, acrescente o restante de manteiga, misture bem e junte o parmesão. Sempre mexa com cuidado, senão você vai ter uma papa e não um risoto.

Sirva imediatamente!!! Se quiser pode juntar um pouco de batata palha. Ou você pode fazer uma carne grelhada que fica muito bom com uma saladinha de rúcula com tomates cereja e mussarela de búfala. Vai ficar gostoso do mesmo jeito.

Agora, se não der certo... ai veja... ta lembrado daqueles dois ovos brancos e a farinha? Jogue os ovos numa frigideira, misture com a farinha e coma. Mas, pra esse prato ter ficado ruim, tu deve ser pior que Ludmila na cozinha. Os ingredientes misturados não têm como não prestar. A menos que você tenha queimado tudo. Neste caso vai uma sugestão: largue as drogas. Pare com a bebida. Isso não ta lhe fazendo bem.

Bom apetite!

Chef Carezatto (e Subordinado Di Menezes)

25 de abr de 2008

Arroz de Polvo a Guadalupe


Já aviso logo: não é uma receita curta, dessas que a Clarisse gosta de fazer. Essa é longa e demorada.

Esse é um prato muito gostoso e bem comum lá no nordeste. Alguns chamam também de risoto de polvo. O que mais complica na sua feitura é o cozimento deste “poli-pernas”, pois, caso não seja cozido corretamente, desista do prato e contente-se com belos chicletes. Os pedaços ficam duros e borrachudos. Antigamente costumavam bater no polvo (mesmo depois dele morto) como forma de amolecer sua carne. Mas graças à evolução da inteligência humana, adotamos simples técnicas que nos livram deste tamanho trabalho e livram principalmente o polvo de apanhar até morrer de novo.


Mas vamos à receita:
Escolha inicialmente um polvo de aproximadamente 1,5kg a 2kg. O ideal é que você o ponha no congelador, tipo por 24h (até que congele). Para fazer o pernoso, tenha em cima do balcão:


  • 3 tomates vermelhos (maduros);
  • 3 cebolas grandes;
  • 1 pedaço de pimentão verde, outro vermelho e outro amarelo. (você não vai usar um inteiro. Vai ser, no máximo, 1/3 de cada um);
  • Um molho de coentro (coentro! Não use salsinha. Isso é um prato nordestino);
  • Um molho de cebolinha;
  • Alguns ramos de manjericão;
  • Pimenta do reino (em grão, se possível);
  • Sal;
  • Vinho branco;
  • Azeite;
  • Leite de coco (uns 300 ou 400 ml são suficientes);
  • Extrato de tomate (uns 100g);
  • Vinho tinto;
  • Cerveja;
  • 2 ovos.

Você vai precisar de uma panela grande. Quando eu digo grande, é bom que seja grande. Um caldeirão por exemplo. Não! Não é pro polvo nadar dentro. Eu sei que ele tá morto. Mesmo assim o bicho exige bastante água pra ser cozido. E também não precisa ser o caldeirão da Cuca, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Pode ser uma panela grande, de forma que caiba o amigo de Bob Esponja e ainda sobre espaço.

Pegue o polvo que estava no congelador e ponha numa panela qualquer, com água, apenas para ele descongelar um pouco. Se ele não tiver tratado, não tem problema. Você pode pegar a cabeça e cortá-la na base. Vai remover tudo o que não presta. De certo que vai perder também um pedaço consumível do polvo. Só tenha cuidado para não cortar a bolsa de tinta que ele carrega. Se assim fizer vai deixar um gosto ruim no danado. O ideal é cortar bem na base da cabeça, separar e com cuidado ir explorando o que foi cortado para aprender como tratá-lo. Lembre de tirar também os “dentes”, que ficam na parte de baixo do polvo. É só ir cortando pela borda, fazendo um círculo em torno da boca e pronto. Ela sai inteira e sem danos.

Bom, depois do polvo tratado e descongelado, ponha bastante água naquela panela grande, descasque uma daquelas cebolas e ponha dentro. Não precisa picar. É melhor que ela vá inteira. Esta cebola é que fará com que a carne fique macia.

Pegue um palito de fósforo, um isqueiro ou duas pedras. Produza uma faísca e acenda o fogo. Ponha a panela em cima da chama e tampe-a. Largue lá. Daqui que água esquente e cozinhe o polvo, dá tempo de você pegar uma cerveja ou um vinho tinto e ir tomando. Sim.... se você quiser, pode cozinhar o polvo numa panela de pressão. É ótimo também. É só pegar a panela, botar água, botar o polvo e a cebola, tampar e botar no fogo. Quando começar a chiar, aguarde 20 minutos e seu polvo está cozido. Se não tiver bom, é só deixar cozinhar mais um pouco.

Enquanto você molha o bico, pegue os tomates e corte-os em cubos. Pode ser em trapézios, em triângulos... Enfim. Lembre-se das suas aulas de geometria e corte os tomates em pequenos pedaços. Faça isso com as duas cebolas restantes e com os pimentões. Corte um pouco de cada cor. Só não ponha muito pimentão senão ele rouba o gosto do prato.
Pegue uma panela média, ponha os tomates, as cebolas e pimentões. Regue com azeite e deixe cozinhando (vez em quando dê uma olhadinha no polvo pra saber se ele tá bem). Use fogo baixo para não fritar tudo. Quando começar a juntar “água”, ponha um pouco de cebolinha e de coentro picados. Ponha um pouco de sal e mexa.

Lembrou de ver o polvo? Cuidado com essa bebida! Vá olhar o polvo. Para saber se está bom, pegue um garfo e crave na lateral da cebola. Se você perceber que ela está mole, que o garfo entra fácil, significa que seu polvo está no ponto. Para certificar-se, retire um pedaço mais grosso, tipo do começo de uma das pernas e prove. Tem que estar macio, molinho. Se não tiver, deixe cozinhar mais.

Quando o polvo tiver pronto, tire da panela e ponha numa tábua. Pegue a panela que você cozinhou o polvo e guarde a água deste cozimento. Você vai precisar dela mais na frente. Corte o polvo em pequenos pedaços. Do tamanho suficiente para que você não precise de faca para comê-lo.

Pegue o polvo picado em jogue dentro daquela panela que está cozinhando as verduras. Mexa. Acrescente o extrato de tomate e continue mexendo. Adicione um pouco de vinho branco (uns 100ml) e mexa lentamente, sempre em fogo baixo. Teste o sal. E continue a mexer. Quando você perceber que as verduras já estão bem cozidas, ponha a pimenta do reino ralada. Se você não tiver um daqueles raladores, passe uns 10 ou 15 grãos no liquidificador, processe e despeje na panela. Continue mexendo. Pegue a garrafinha de leite de coco, abra e adicione. Continue mexendo. Pegue alguns ramos do manjericão, lave, pique e jogue dentro. Aguarde uns cinco ou dez minutos, após a colocação do leite de coco e desligue o fogo.

Já cansou? Dê mais um gole no seu vinho ou na sua cerveja e volte pra cozinha. Tá pensando que é fácil contar vantagem, é? (não entendeu a piada? Leia o texto: Meia Margherita Meia Calabresa)

Lembra daquela água que cozinhou o polvo e que eu mandei você guardar? Pronto. Use-a para cozinhar o arroz. Se não sabe fazer arroz, siga a receita da embalagem, senão eu não acabo esse texto hoje! Apenas use a água que você cozinhou o polvo. Se quiser, use também a cebola que ajudou a amolecer o polvo. Pique-a e jogue dentro pra cozinhar junto com o arroz.
Quando o arroz tiver pronto (ele nao precisa secar totalmente. Pode ficar molhadinho ainda), acenda novamente o fogo da panela que está o polvo e vá pondo o arroz dentro. Ponha aos poucos e vá misturando lentamente. Ponha o tanto de arroz que você achar necessário, lembrando que não deve ter mais arroz que tudo. Apesar de ser um arroz de polvo, dê mais ênfase ao polvo do que ao arroz. Largue de ser muquirana. O prato deve ficar “molhado”. Ou seja, assim que terminar de colocar o arroz, desligue o fogo.

Neste momento você está um bagaço e sua cozinha mais parecendo que passou um furacão. Seus convidados estão metade bêbados e metade irritados pela demora do prato. Não se preocupe. Assim que eles provarem vão esquecer qualquer intriga (mas não acho que vai passar a cachaça).

Sirva o arroz de polvo acompanhado de azeite, pimenta e uma vista para a Praia de Guadalupe. Este último acompanhamento é o segredo para o prato ficar maravilhoso. Você não tem essa vista? Então eu não posso garantir que seu prato vai sair gostoso.

E se o prato não ficar bom, lembra daqueles dois ovos que aparecem na lista de ingredientes? Frite-os no azeite, na manteiga, na margarina, na banha de porco, ou no que você achar melhor e junte com pão. Bom apetite! Seja pro arroz de polvo, seja pro pão com ovo. Prometo que da próxima vez faço uma receita mais simples e mais rápida.

Adauto “Di Menezes”

24 de abr de 2008

Figo e Parma

Eu sou totalmente a favor de receitinhas super fáceis e que causam um efeito maravilhoso e essa aqui pode ser classificada dessa maneira.
É uma salada de figo com parma e manjericão. Facílima e deliciosa.

Primeiro, vejam a cara dela:















Vamos à receita?
IngredientesFigo Fresco (1 ou 2 por pessoa)
Presunto Parma
Mussarela de Búfala em bolinhas
Manjericão gigante roxo e verde

Molho (para cada duas pessoas)
Suco de ½ Limão Siciliano
1 colher de sopa (generosa) de Melado de Cana
Sal e pimenta do reino a gosto (vá experimentando até que fique fresco, levemente doce e apimentado. Lembre-se que o figo é doce, e o Parma é bastante salgado)

Modo de preparo
Dar dois cortes no figo, mas sem ir até o final.
Ele deve ficar parecendo com uma flor...
Arrumá-lo no centro do prato e dispor ao se redor as folhas de manjericão verdes e roxas, as fatias de Parma e as bolinhas de mussarela.
Ao final, regar a salada com o molho.

Sugestão de bebida: um espumante bem gelado. Pode ser tinto, branco ou rose.
Bom apetite!!!

23 de abr de 2008

Meia Margherita Meia Calabresa


A cozinha é um lugar interessante. Uns dizem que é o melhor lugar da casa. Outros, que é o pior. Dizem até que o que ocorre dentro de uma cozinha assemelha-se ao que ocorre dentro de um quarto. E o que acontece entre quatro paredes, assim deve permanecer. Eu discordo!


Na cozinha, como no quarto, tem espaço para contar estórias e histórias, aventuras e desventuras e principalmente, contar vantagens! Quem nunca ouviu alguém dizer que arrepiou entre as quatro paredes de uma cozinha? Tem sempre um pra dizer que faz melhor. Mas por certo, que é um espaço democrático, onde é permitido unir povos, culturas, religiões, idades, credos, idiomas e muita criatividade. Apesar das regras é um ambiente livre. Onde tudo pode.

Eu sou um apaixonado pela cozinha, em todas as suas dimensões. Adoro as panelas, principalmente as de barro e de ferro, adoro aqueles utensílios muitas vezes inúteis, adoro os temperos e adoro inventar. Sempre fui um curioso desde pequeno. Vivia por perturbar a paz de Maria, que era a nossa cozinheira há vários anos. Ela trabalhava com um pano de prato pendurado no ombro e não muito raro me expulsava da beira do fogão, sacudindo o pano de prato e reclamando que ali não era lugar de criança. Ainda bem que minha mãe, depois, com calma, me ensinava as receitas e os segredos. E mesmo morando fora de casa há alguns anos, quando tenho alguma dúvida, pego telefone e ligo pra ela.

Na minha casa, quando tinha festa, era na cozinha onde juntava mais gente. Hoje, sempre que posso, procuro me divertir à beira do fogo (sempre lembrando da Maria e seu excesso de cuidados para que eu não me queimasse) seja preparando invenções, seja preparando qualquer quitute, nordestino ou não, acompanhado de bons amigos e de muitas estórias. Só não vale contar vantagem. Diferente do quarto, na cozinha todo mundo fica sabendo da verdade. E ai eu pergunto: e quando a comida não dá certo? E quando sai tudo diferente do que foi pensando? Bom... como diria Lula, frita um ovo e come com pão. Se ainda sair errado?

Pede uma pizza!

Bom apetite a todos e até a próxima.

Adauto “Di Menezes

21 de abr de 2008

Guerra, guerra, guerriou!!!!



Peixada de cação ao coco com camarão

Ingredientes:

800g de peixe cação
400g de camarão
3 batatas
1 pimentão verde
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
3 cebolas grandes
3 tomates
Coentro e cebolinho
100ml de vinho branco
50ml de azeite extra virgem (acidez 0,5%)
Pimenta do reino e sal a gosto
2 ovos cozidos
2 limões
1 garrafa de leite de coco
e uma boa panela de barro (indispensável)

Modo de fazer:

Tempere as postas de cação com limão, sal, pimenta do reino e reserve;

Cozinhe os ovos a parte;

Ferva os camarões com casca por 5 minutos e reserve;

Forre o fundo da panela de barro com as cebolas cortadas em rodelas, os tomates (nesta ordem) e adicione o azeite;

Coloque as postas e cubra com os pimentões, coentro e cebolinho;

Acenda o fogo com fósforos Fiat Lux;

Deixe em fogo brando até formar um caldo (o caldo é oriundo das cebolas e tomates);

Coloque o vinho branco e depois de aproximadamente 10 minutos adicione o leite de coco;

Adicione as batatas (cortadas em fatias), o camarão e os ovos;

Atenção: Salgue a peixada a seu gosto.

Acompanhamentos:

Bons amigos (esse não tem em qualquer supermercado), cerveja gelada e o disco de Siba e a Fuloresta."Caso não dê certo, não se preocupe, nada que um bom pão com ovo não resolva."

Abraço.

Ladies first!


Mesmo a trabalheira para botar esse blog no ar tenha ficado por conta do Lula, como sou a única moça do grupo, tenho prioridade na postagem, né não?

E para isso, escolhi uma receita leve, fácil, rápida e gostosa, para começarmos nossa aventura culinária aqui no Nordestinos na Cozinha.

Vendo a foto, parece um bolo de chocolate com granulado por cima...hummm...

Mas não é!!!!
É um saudável pão integral de minuto!
Eu já escolho a fôrma de bolo pra tornar o pão mais atrativo...e o que parece ser granulado, é, na verdade, linhaça.

Bem, a escolha de um pão integral para iniciar nosso blog tem uma justificativa bastante plausível: todos esses pães integrais que compramos no supermercado não são integrais coisíssima nenhuma. São todos falsos... Pão integral de verdade é um pão pesado, e não levinho como os de supermercado. Os falsos são assim leves, porque levam muito mais farinha comum do que integral.

Mas, deixando de conversa mole, vamos à receita:

Ingredientes

4 xícaras de farinha integral
1 colher de sopa de fermento para pão
1 colher se sopa de sal
2 ½ xícaras de água morna

Modo de fazer

Numa bacia de cozinha misturar todos os ingredientes secos com uma colher de pau. Quando estiver tudo misturadinho, ir aos poucos colocando a água morna (tem que ser morna, se for quente destrói a receita), mexendo sempre, até formar uma mistura homogênea.

A massa pronta vai ficar meio líquida, pastosa, e você vai achar que errou, mas é assim mesmo. Não é como as massas de pão que a gente vê na tv e nos livros de receita. Essa é assim, meio líquida mesmo.

A essa massa você pode acrescentar nozes, castanha do pará, linhaça, avelã, amêndoa, enfim...o que lhe apetecer.

É só esperar a massa crescer. Quanto mais tempo, melhor. Mas deixar descansando por no mínimo 30 minutos, com um paninho úmido cobrindo a bacia.

Quando ela crescer, colocar numa fôrma untada com margarina ou manteiga e farinha, e levar ao forno pré-aquecido por mais ou menos 30 minutos ou até começar a cheirar!

E voilà!!!!

O pão está pronto!

Bom apetite.